O Melhor Site de Trabalhos da Internet


Avaliação


Para Martins a avaliação é considerada um elemento essencial para o processo de aprendizagem, tendo em vista que é através da avaliação que o professor poderá verificar até que ponto alcançou os resultados pretendidos, ao passo que o resultado da avaliação também poderá fornecer subsídios ao professor para modificar seus objetivos e procedimentos de ensino, visando se tornar mais eficaz na transmissão do conhecimento. De acordo com as teorias da educação a avaliação poderá apresentar características específicas, na Escola Tradicional, por exemplo, a avaliação irá se restringir à evocação dos conhecimentos que foram memorizados pelos alunos, por isso, os instrumentos utilizados pelo professor poderão ser provas, trabalhos escritos ou interrogatórios orais. Na perspectiva da Nova Escola predomina a auto-avaliação e a observação do comportamento do aluno pelo professor. Enquanto que na Escola Tecnológica a avaliação consistirá na observação do padrão de competência individual do aluno pelo professor por meio de testes objetivos.

É importante ao observar a avaliação sob o ponto de vista teórico, realizando a distinção entre testar, medir e avaliar. Testar e medir se restringem à aspectos quantitativos, enquanto que avaliar envolve a verificação de mudanças qualitativas do comportamento do aluno.

A avaliação além de ser considerada um processo que permite ao professor identificar se os objetivos de aprendizagem foram alcançados, é um importante elemento para orientar o planejamento das novas etapas do processo de ensino ou replanejamento do processo, caso os objetivos que foram selecionados não sejam atingidos.

No tocante aos princípios básicos da avaliação, estes podem ser agrupados em consonância com os princípios orientadores da aprendizagem, sendo assim, a avaliação deverá ser contínua, gradual, constante, cumulativa, coerente e cooperativa. Outros autores ainda estabelecem princípios operacionais para proporcionar uma direção no processo de avaliação. Neste sentido, serão princípios da avaliação determinar e tornar claro o que vai ser avaliado, selecionar técnicas de avaliação adequadas, utilizar técnicas variadas para uma avaliação mais fidedigna, ter consciência dos limites e possibilidades dessas técnicas, considerar que a avaliação não é um fim em si mesma, mas um meio para alcançar determinados fins.

Também é possível enumerar as modalidades de avaliação numa perspectiva tecnológica, em que cada uma delas corresponde à funções específicas (diagnóstico, controle e classificação) e são classificadas em diagnóstica, formativa e somativa.

Antes de planejar o ensino, o professor poderá utilizar a avaliação diagnóstica que lhe permitirá detectar o nível em que se encontram os alunos no início do processo, bem como as dificuldades que se apresentam, correspondendo a função diagnóstico. A avaliação formativa ocorre durante todo o processo de ensino e tem a função de informar ao professor se os alunos estão se modificando em direção aos objetivos a serem atingidos, correspondendo a função controle. Já a avaliação somativa é aquela que resultará na nota ou conceito que o aluno irá obter conforme o seu aproveitamento e desempenho nas atividades, correspondendo assim, a função somativa. É importante lembrar que todas as modalidades de avaliação estão intimamente relacionadas sendo, portanto, indissociáveis.

A respeito da didática teórica no tocante à avaliação é possível afirmar que o professor deverá ser capaz de selecionar adequadamente a maneira de avaliar mais conveniente para cada situação, sempre tendo em vista os objetivos previstos.

Na perspectiva prática a avaliação passar a ter um sentido diferenciado da perspectiva teórica, tendo como um dos primeiros problemas a exclusão do professor da elaboração do processo avaliativo. Se nas séries primárias o professor não elabora nem participa da elaboração das provas bimestrais aparecendo apenas como aplicador da avaliação, nas séries mais avançadas alguns professores alegam a falta de tempo para realizar uma avaliação mais completa, fazendo muitas vezes apenas um tipo de avaliação.

Em alguns casos a avaliação passa a perder seu sentido quando passa a representar um instrumento de controle para garantir a disciplina e obediência do professor com relação às tarefas que lhes são delegadas. Sendo assim, o professor se ver obrigado a cumprir a todo custo os objetivos e conteúdos que são impostos, sob o risco de ser taxado de incompetente, desinteressado e fraco. E essa atitude traz um clima de insegurança e desconfiança, sobretudo nas séries iniciais, as quais a coordenação elabora as provas, esconde do professor e só as entrega no dia de aplicar o exame, isso quando não troca o professor de sala. Os professores sentem-se vigiados e o foco da avaliação que tinha por função observar e melhorar o processo de aprendizagem, passa a ser um instrumento para controlar o desempenho do professor.

Quando o professor é responsável por elaborar a avaliação que será aplicada aos alunos, um erro comum que cometem é restringir o processo avaliativo a apenas um tipo de avaliação, principalmente a cognitiva, contudo, muitos alegam a falta de tempo para realizar uma avaliação contínua. Além disso, a avaliação é direcionada no sentido de medir apenas a aquisição de conteúdos, desconsiderando os domínios psicomotor e afetivo. De fato o problema da avaliação na didática prática também é reflexo da exclusão do professor na própria elaboração dos objetivos de aprendizagem e na escolha dos conteúdos, dessa forma, a avaliação que deveria ser um elemento para orientar o processo educativo, torna-se um instrumento de controle.

Para Nidelcoff no tocante à avaliação, muito além do que determinar a nota que o aluno obteve ou observar a nota média da classe, a avaliação é importante para que o professor possa identificar a eficácia do trabalho realizado e também de saber se a classe é capaz de prosseguir nos temas trabalhados ou se estes devem ser reforçados.

Neste caso, é importante também observar que os resultados de uma avaliação podem ter implicações sociais, ou seja, as causas de um mau rendimento pode provir das situações sociais do aluno. E dentre essas situações estão causas como problemas alimentares na infância que comprometeram o desenvolvimento intelectual do aluno, as deficientes condições de habitação que podem favorecer o aparecimento de doenças, as diferenças culturais que podem dificultar a aquisição de aprendizagens prévias e até mesmo o grau de escolaridade dos pais podem interferir nos resultados avaliativos quando a avaliação depende da ajuda destes para ser realizada.

Nidelcoff ambém estabelece o posicionamento do professor diante da avaliação, podendo ser qualificado em “professor-policial” ou “professor-povo”.

O “professor-policial” durante o processo avaliativo não percebe as raízes sociais do fracasso escolar, ele faz qualificações levando em consideração apenas o rendimento em aula, ignorando situações extra-escolares que podem influenciar nesse rendimento. Esse tipo de professor valoriza apenas os conhecimentos, desse modo termina por ser um professor que se julga como transmissor de conhecimentos e realiza uma avaliação de verificação para constatar se os conhecimentos foram apreendidos.

Como esse professor realiza uma super valorização do livro e dos conhecimentos cognitivos, não são levados em conta no momento da avaliação os esforços, a dedicação e a capacidade de aplicar os conhecimentos.  Muitas vezes o instrumento de avaliação é tido como recurso disciplinar podendo, por exemplo,  ser realizada uma prova difícil como forma de punir uma turma indisciplinada. A avaliação neste aspecto, pode ser considerada patrimônio exclusivo do professor, neste caso, os alunos recebem os trabalhos e os exames de volta apenas com a qualificação ou uma nota sem qualquer explicação e principalmente, sem dar ao aluno a possibilidade de refazer os trabalhos ou as atividades.

Nidelcoff observa que todas essas características do “professor-policial” termina por contribuir com a manutenção da ordem social vigente, visto que sua forma de avaliar não incentiva a auto-crítica, mas uma atitude passiva e conformista ao receber uma mera qualificação como resultado avaliativo além de aumentar o abandono dos estudos pelos alunos.

Já o “professor-povo” realiza sua avaliação como um educador e não como um mero transmissor de informação. Os alunos não são apenas avaliados apenas pelo seu desenvolvimento cognitivo, mas é levado em consideração seu desenvolvimento enquanto pessoas. Sendo assim, as atitudes, o esmero na realização das atividades e a responsabilidade do aluno também são levados em consideração no momento de se atribuir a nota e na correção dos trabalhos a pontuação, a dedicação e o esmero contam como critérios avaliativos.

Esse tipo de professor não trata a avaliação como um elemento para garantir a disciplina, mas o faz de modo que os alunos possam desenvolver o senso crítico, conduzindo-os para uma perspectiva de auto-avaliação. As avaliações são sempre discutidas e muitas vezes aos alunos é permitida a possibilidade de calcular a própria nota. Os fatores sociais são levados em consideração na avaliação e no próprio rendimento escolar.

Uma problemática trazida por Nidelcoff é a questão da promoção de série, no qual algumas escolas mantém um alto nível de exigências e os alunos acabam repetindo e abandonando a escolar ou então quando se busca reter o maior número de alunos terminando por baixar o nível geral de rendimento.

A partir desses questionamentos se percebe que tem escolas que optam por um alto nível de rendimento resultando a repetência do aluno que não chega a esse nível e em muitos casos, essas escolas não aceitam o aluno que repete gerando maiores conseqüências, dentre elas a sensação de fracasso e a necessidade de procurar outra instituição de ensino para repetir o ano.

Já nas escolas que acham como solução baixar o nível das exigências ao rendimento médio do grupo, mesmo conseguindo reter uma quantidade maior de alunos, ainda fica sem solução quando se depara com casos de alunos que não atingem o nível desejado.

Para as escolas que aplicam a promoção automática, o aluno não é submetido a repetir toda a etapa de aprendizagem, mas a partir de onde parou. Um dos problemas existentes nesse sistema é a não observância de um tratamento especial que deve ser dado ao aluno em dificuldades para que ele avance e volte a acompanhar o ritmo de sua turma.

Há ainda algumas escolas que estabelecem a divisão dos alunos em grupos homogêneos de acordo com o rendimento dos alunos, mas termina por refletir a divisão de classes. E também há os grupos móveis, que organizam os alunos em diferentes níveis nas distintas áreas de trabalho segundo o seu desempenho em cada matéria.

Por fim, Nidelcoff chega a conclusão que é de fato necessário reter a maior quantidade de tempo possível uma criança na escola para que ela aprenda até onde  possa, mesmo que nunca atinja o nível de seus companheiros, mas que a aprendizagem deva buscar fazer com que o aluno aprenda dentro do seu ritmo.