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A Geração Beat
O autor Allen Ginsberg é considerado um dos representantes do que se convencionou chamar de “Geração Beat”. Essa geração representou um novo movimento cultural que colocou em questionamento o “modo de vida americano” e se materializou nas mais diversas formas, indo desde a escrita com uma nova produção literária até a música representada principalmente pelo Jazz.
Conforme afirmam os autores André Bueno e Fred Goes em seu texto “O que é a Geração Beat” que o termo “Beat” apresentou uma série de significações, podendo ser a batida dos músicos de Jazz, na literatura representar o improviso, a ausência de normas fixas e na vida das pessoas “beat” é a liberdade e o prazer. Com um tempo o termo “beat” também passou a ser sinônimo de “bater” e “beatificar”, sendo associado a uma mistura que envolvia o profano e o sagrado, indo desde o convencimento pacífico ao ativismo político.
Todo esse movimento que surgiu no final dos anos 40, tendo um maior destaque nos anos 50 e 60 se volta contra um período em que a população dos Estados Unidos vivenciou chamado de “Pesadelo Refrigerado”. Conforme Bueno e Goes essa época ficou marcada pelo materialismo desenfreado, pelo consumismo alienante adentrando na insurgência de uma Guerra Fria, logo após as terríveis consequências deixadas pela Segunda Guerra Mundial e o uso de armas nucleares.
A população estava cada vez mais incentivada ao consumo de produtos difundidos pela televisão e pelo cinema. A difusão de valores anticomunistas formavam um modelo sociedade tradicional composta por brancos de origem anglo-saxônica que seguiam uma moral protestante, os demais grupos sociais que não seguiam esses padrões eram ignorados e estavam automaticamente excluídos da sociedade.
Sabendo que o movimento Beat se manifestou nos mais diversos campos da cultura, com forte presença na música e na literatura, um dos livros que mais se destaca é o “On The Road” de Jack Kerouac, e a partir dele muitos outros escritores mantiveram uma produção literária que contrariava os padrões normativos da literatura e passavam a abordar questões do dia-a-dia.
Neste contexto surge o autor Allen Ginsberg, poeta nova-iorquino que incorporou o Zen-Budismo e o Hinduísmo em sua produção literária. Hoje considerado o maior guru da América contemporânea, a produção de Ginsberg, principalmente através da obra “Uivo” apresenta uma série de poemas que fogem aos padrões de sua cultura, abordando temas polêmicos na época como a questão das drogas e da homossexualidade. Dessa maneira, sua produção é considerada uma das bíblias da contracultura, podendo ser observadas uma série de críticas sobre a decadência da América, a participação dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã e o crescente materialismo na cultura nacional.
Na entrevista prestada à revista “O Globo” em 1991, que aborda rapidamente a biografia de Ginsberg, mostra através da fala do autor que o sonho libertário que surgiu na época da Geração Refrigerada ainda continua vivo. Ao responder sobre o propósito da criação de seu livro, Ginsburg faz uma crítica à sociedade da época, tida como “Square”, ou seja, careta e quadrada. Ao afirmar que sua obra teve influências de Jack Kerouac e da música de Bob Dylan, o autor afirma que a sociedade está norteada de valores falsos, de ambição, inveja e cobiça.
Nessa citação, o autor reforça a ideia de que hoje em dia mais que nunca, os Estados Unidos ainda vivenciam um Pesadelo Refrigerado, agora reforçado pelas atitudes do governo e a própria política externa americana. É sabido que quando o movimento beat estoura nos Estados Unidos, os participantes desse movimento são taxados de rebeldes sem causa e delinqüentes juvenis.
Por fim, é importante destacar duas citações que denotam uma crítica sobre a situação atual presenciada pela população americana, no que toca a guerra. Se antes Ginsberg criticava a guerra fria, agora as críticas se voltam contra os Estados Unidos no que tange ao Iraque e a fragilidade do nosso planeta.Dessa maneira, em análise das respostas apresentadas por Ginsberg na entrevista, é possível perceber que não apenas continua vivo o movimento de contestação “beat” como também, mais vivos do que nunca são os valores morais doentios que eram negados por esse movimento, podendo-se concluir que nos dias atuais os americanos estão passando por uma nova época de “pesadelo refrigerado”.
