O Melhor Site de Trabalhos da Internet


Os Pilares da Educação


O resgate da cultura popular permite que o aluno conheça melhor sua história e, ao conhecê-la, dela se aproprie. O objeto dessa matéria seria discutir e viver a cultura regional, fazendo com que os alunos possam visitar pessoas, construções, elementos da natureza, conhecer o folclore, as danças, a música de todas as manifestações da cultura popular que marcam a tradição de uma determinada região. Sem esse enfoque corre-se o risco de perder ou deixar morrer as tradições centenárias da cultura popular. A cultura popular pode ser dada em qualquer série, por exemplo, na 7º e na 8º série do ensino fundamental. 

Essa matéria serviria como tema transversal que deveria perpassar todas as áreas, como ética e cidadania, para que o aluno seja inserido em seu ambiente, seja ele natural, seja artificial. Trabalhar desde grandes preocupações, como a destruição das matas, a contaminação das águas, o prognóstico da falta de água no planeta, a consciência do espaço urbano. Entender por que é prejudicial jogar papel na rua, por que a tecnologia deve ser usada para minimizar os efeitos poluentes dos automóveis, até as práticas de reciclagem e o aproveitamento de material.
Também é possível estabelecer diálogos com a ética, a cidadania e cultura popular, discutindo, por exemplo, o ambiente prisional, o ambiente reservado aos menores ou então o meio ambiente de trabalho. Adequando ao currículo, pode-se dar educação ambiental em séries distintas, como na 5º e na 6º série.

A política pode estar inserida no programa de ética e cidadania ou ser tratada em um programa separado. A política é a relação do ser humano com seu grupo, a construção de mecanismos de uma convivência possível entre seres tão desiguais. O estudo da política pode enfocar, fundamentalmente, a estrutura de poder vigente no Brasil, detalhes como o funcionamento dos três poderes (legislativo, executivo e judiciário), as funções de um vereador, deputado federal, deputado estadual ou então, por que o Brasil tem um sistema bicameral? Como são escolhidos os ministros do Supremo Tribunal Federal? Além dessas questões discutir também sobre os partidos políticos e as diversas ideologias. Levar também os alunos para assistir sessões na câmara de vereadores ou deputados, entrevistar juízes e promotores ou o prefeito e assim por diante. Política é uma disciplina para ser ministrada preferencialmente no ensino médio, podendo ser dada no 3º ano do ensino médio.

O aluno precisa sentir-se responsável por seus atos, que de sua atuação depende a melhoria das condições para sua aprendizagem. A assembléia de classe seria um momento de exercício de democracia na sala de aula, momento propício para que o aluno tente compreender seus erros e acertos. Conduzida por um professor responsável pela classe, objetiva permitir que o grupo participe ativamente da aprendizagem, apresentando todos os seus problemas que impedem ou dificultam esse processo, desde questões de relacionamento com o professor e entre os alunos, até problemas de comportamento como agressividade, falta de atenção e outros. Esse processo auxilia a solucionar problemas, já que o aluno precisa ter espaço para criticar, para falar, para se analisar. Quando um grupo da classe aponta outro grupo como fonte de discórdia, por exemplo, ninguém é acusado de delator justamente porque há franqueza e boa intenção na exposição de uma questão em assembléia. Essa disciplina pode ser dada em todas as séries.

O teatro é uma grande possibilidade de trabalhar múltiplas habilidades do aluno. Além de toda riqueza que a arte de representar encerra, o teatro possibilita a utilização de técnicas de desinibição, de improvisação, de trabalho em equipe, o que é fundamental. A pesquisa teatral é riquíssima, traz costumes de épocas diferentes, textos instigantes, alguns podem até ser formulados pelos próprios alunos, o que também é viável. Outro detalhe importante do teatro é a sensibilidade. O aluno que se mostra tímido, ou indiferente, ou agressivo se transforma com a arte quando pode desenvolver sua sensibilidade.

Todas essas disciplinas sugeridas não retiram a importância e a necessidade de revisão de conteúdo de todas as outras matérias. Em ciências ou biologia, abordar a sexualidade, o namoro, o uso do preservativo, as doenças sexualmente transmissíveis. Podendo discutir em outras matérias sempre com conhecimento de causa e a preocupação em não vulgarizar a discussão. Em matemática, por exemplo, em vez de propor que os alunos decorem uma infinidade de fórmulas, seria interessante fazer com que entendam como os matemáticos chegaram à fórmula e mostrar a evolução do raciocínio. Em física, apresentar exercícios do cotidiano utilizando as práticas que de que os jovens gostam como ciclismo, automobilismo. A química pode tratar matéria com relação aos alimentos, os transgênicos, a culinária, alterações provocadas no meio ambiente.  

As matérias como inglês ou espanhol também têm de ser envolventes, fazendo com que os alunos estudem não apenas os verbos auxiliares, mas praticando o idioma na aplicação prática. O estudo da geografia sem que seja descontextualizado, utilizando jogos disponíveis para esse tipo de compreensão assim como possibilidade de passeios em que se concretizam os acidentes geográficos. Há a geopolítica para explicar a nova ordem mundial, a guerra fria, a passagem de um mundo globalizado ou unipolar com a supremacia americana.

Enfim, o conteúdo é vasto e fascinante e o objetivo do educador é auxiliar o aluno a crescer mais e melhor, crescer de forma envolvente. Fazer com que ele leia um livro e goste do autor porque entende sua intenção, sua linguagem, o momento histórico, a narrativa, o tipo de personagem que criou. Não se pode mais conviver com o engessamento da grade curricular ou dos conteúdos, com o mito de que, se toda matéria programada no início do ano letivo não for dada, o aluno estará reprovado no vestibular e a escola será culpada por ter deixado de trabalhar alguns conteúdos necessários.

Ninguém conseguirá dar todo conteúdo na escola, porque o conteúdo não é estático, está em constante mutação, novas hipóteses. O livro didático deve ser um manual, um guia auxiliar, e não pode personificar o impedimento à criatividade do professor, que fica preso a ele aula a aula, o ano inteiro, sem margem para dialogar ou interagir.

O conteúdo será rico e dinâmico se for visto como um meio e não como um fim. O fim é o aprender a aprender. O fim é a habilidade.