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As Festas no Brasil Colonial
Segundo Norberto Luiz Guarinello não existe uma conceituação adequada do que seja uma festa, visto que “festa” é um termo vago, derivado do senso comum e aplicável a uma ampla gama de situações sociais. Porém o termo “festa” abre espaço para uma diversidade de interpretações, ou seja, o que é uma festa para uns pode não ser para outros.
E mesmo que se pense que toda festa deve reunir como componentes como alegria e diversão em um comportamento coletivo, porém, nem toda diversão é uma festa, mesmo que seja coletiva. Os cientistas sociais vêm tentando traçar um uma definição do que seria uma festa, porém nessas tentativas sempre acabam reduzindo o termo “festa” a características de uma ou outra festa particular, ou seja, definem o “termo” festa com base em determinada festa e excluindo outras festas particulares.
Tais definições não são incorretas, mas são incompletas visto que esse parâmetro de julgamento com base em festas específicas, torna impossível o diálogo entre outros cientistas, que tem uma definição teórica distinta do que seria uma “festa”. Sendo assim, o termo acaba tendo uma definição mais aceita segundo o senso comum e não por uma acepção mais científica.
Guarinello tenta nos trazer uma conceituação de festa pensada em termos bem gerais, abstraindo suas particularidades históricas e culturais. Vendo a festa não como uma realidade oposta ao cotidiano, mas integrada nele, tendo este cotidiano como o tempo concreto de realização das relações sociais.
Sendo assim, a festa deve ser pensada a partir de 5 características básicas: 1º Implica em uma determinada estrutura social de produção, no sentido de que as festas são preparadas, custeadas, planejadas e montadas segundo regras que tem relação direta com o próprio cotidiano; 2º Envolve a participação de um determinado coletivo, a sociedade como um todo ou grupos específicos dela; 3º É uma interrupção do tempo social e as atividades diárias são suspensas temporariamente; 4º Articula-se em torno de um objeto focal que pode ser um ente real ou imaginário, um acontecimento, um anseio ou satisfação que atuam como motivação da festa; 5º Por fim, a festa é uma produção social que pode gerar vários produtos, tanto materiais como comunicativos, sendo o mais crucial desse produto, a geração de uma identidade entre os participantes.
Dessa maneira, Guarinello conceitua festa como “uma produção do cotidiano, uma ação coletiva, que se dá num tempo e lugar definidos e especiais, implicando concentração de afetos e emoções em torno de um objeto que é celerado e comemorado cujo produto principal é a simbolização da unidade dos participantes na esfera de uma determinada identidade. Festa é um ponto de confluência das ações sociais cujo fim é a própria reunião ativa dos participantes.”
A partir dessa definição é possível afirmar que a festa produz identidade em diferentes níveis e formas, identidades essas que podem ser fortes, a exemplo as sociedades comunitárias; identidades fracas, como é o caso das chamadas festas da sociedade de massas; e ainda as identidades segmentarias ou grupais, como festas que lhes são próprias de determinados grupos da sociedade. Essas três características não são excludentes podendo em uma mesma festa apresentar identidades fortes, fracas e segmentarias.
A festa enquanto produto de uma realidade social concentra em seu interior conflitos, tensões, censuras e ao mesmo tempo atua sobre eles, toda festa apresenta regras próprias, códigos de conduta e expectativas recíprocas. Podendo ser fortemente ritualizadas ou espontâneas e informais, como os bailes funks, por exemplo. A festa unifica, mas também diferencia tanto interna quanto externamente, trazendo como primeira diferenciação os excluídos e os incluídos das festas. Para os incluídos a identidade criada não é homogênea nem uniforme, a festa neste caso não funciona como mecanismo para apagar as diferenças, mas sim unir os diferentes
Uma festa também pode representar uma tentativa de impor determinada identidade da sociedade, seus sentidos podem ser reforçados, manipulados ou disfarçados. Dessa maneira, a identidade que a festa propõe e produz dependerá dos participantes, cuja presença determinará o sucesso e o seu significado. Ainda é preciso chamar atenção uma festa sempre manifesta um conjunto articulado de festas que dialogam entre si, acumulando ou negando a memória coletiva e individual dos participantes, dessa maneira, segundo Guarinello nenhuma festa pode ser entendida dentro de si mesma, devendo ser inscrita numa cadeia de significados que produzem uma sucessão.
