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A Metodologia de Ensino
Segundo Martins, para muitos educadores a didática é vista como sinônimos de métodos e técnicas de ensino, porém, para que um professor possa de fato selecionar os melhores instrumentos didáticos para sistematizar e transmitir os conteúdos, faz-se essencial realizar a distinção entre métodos e técnicas.
Dessa forma, o método pode ser entendido como um elemento unificador e sistematizador de ensino, de modo que será o definidor no estabelecimento da relação perofessor-aluno que será estabelecida. E essa relação irá se perfazer de acordo com a concepção de homem, de sociedade e de mundo à qual o professor deverá se filiar.
O método de ensino, nesse contexto, assumirá diferentes orientações conforme as teorias da educação, ou seja, se a teoria norteadora do método for tradicional a ênfase na transmissão do conhecimento terá como eixo principal a figura do professor em detrimento dos alunos e o método que este professor se utilizará será o expositivo. Caso o método adotado pelo professor esteja em consonância com a teoria da escola nova, o eixo norteador da transmissão do conhecimento será o aluno e as experiências que ele traz para a sala de aula. Também há o método pautado na escola tecnológica, que tem um caráter mais tecnicista, neste caso, o centro do processo de ensino desloca-se para os meios, tornando os alunos e professores como meros executores de tarefas.
Ao observar o momento em que o professor escolhe um método de ensino, é importante ter em mente que ele está trazendo consigo toda uma teoria que irá sustentar sua visão de homem e de mundo.
Quando se fala em técnicas de ensino, é preciso entendê-las como instâncias intermediárias ou componentes operacionais que terá por função implementar o método escolhido pelo professor, ou seja, é aplicação prática do métodos nos casos concretos. Sendo assim, toda vez que um professor optar por transmitir o conhecimento através das técnicas baseadas em aulas expositivas, ele parte do pressuposto que o aluno não traz consigo um conhecimento experiencial e que, portanto, nos remete à um método tradicional.
Observando a diferenciação entre método e técnica, segundo Martins é possível afirmar que a técnica sendo utilizada apenas de forma isolada não tem sentido, visto que é apenas filiando-se à uma teoria que a técnica poderá adquirir um significado. Desta forma, uma das preocupações que norteiam a didática teórica é a confusão estabelecida por muitos educadores em confundir método com técnica e ainda mais, tratá-los como recursos neutros e que poderão ser aplicados indiscriminadamente para resolver qualquer problema de aprendizagem.
Na utilização dos recursos metodológicos é importante que o professor observe critérios básicos como os seus objetivos, a natureza do conteúdo que pretende transmitir, a natureza de aprendizagem e o nível de desenvolvimento do aluno. Neste plano abstrato, os critérios do professor tem que ir além da sala de aula e superar os aspectos que colocam a didática em um plano individual, visto que a didática que será aplicada aos alunos deverá também considerar as relações sociais que esses alunos estabelecem e vivenciam.
Portanto, mesmo que o professor se depare com uma gama de recursos metodológicos, ele deve fazer suas escolhas tendo sempre em mente que não está realizando um escolha empírica ou que as técnicas utilizadas são neutras, isoladas ou fragmentadas, ou ainda, acreditar que simplesmente alterando as técnicas de ensino é suficiente para resolver problemas de aprendizagem, pois é preciso escolher métodos que se adéqüem, sobretudo, aos seus objetivos propostos.
Já numa perspectiva prática o que Martins observa inicialmente, é a exclusão do professor da concepção e organização do processo de ensino. E mesmo podendo-se dizer que é no aspecto metodológico que o professor poderá intervir segundo a maneira que achar mais adequada, se percebe que o professor enfrenta uma série de problemas e dificuldades, a ponto de acreditar que os problemas de aprendizagem são meramente pedagógicos.
E é partindo dessa crença que o professor não consegue perceber que muitas vezes a técnica que utiliza só atinge determinado número de alunos e que para conseguir atingir o restante deverá simplesmente modificar a técnica anteriormente implementada.
Uma das soluções apresentadas por Martins é a necessidade de compreensão por parte do professor da razão de sua prática pedagógica e a consciência que essa prática também é um ato político. Sendo assim, ao implementar uma metodologia que favoreça a determinado grupo de alunos antes de modificá-las, o professor deverá compreender porque apenas aqueles alunos são favorecidos e o porquê de escolher aquele método.
Outro aspecto crucial na didática prática com relação ao aspecto metodológico está relacionado à seleção e organização dos métodos e técnicas que serão utilizados. As dificuldades começam desde o momento em que o professor é excluído da determinação dos objetivos de aprendizagem que deverá perseguir ao longo do seu trabalho, somando esse problema às limitações dos recursos disponíveis pela escola. Muitas vezes o professor termina adotando os recursos que já estão pré-definidos pela escola, e mesmo que o professor tenha maior liberdade para definir os recursos que poderá utilizar, caso não sejam observadas e compreendidas as necessidades individuais e as condições sócio-econômicas dos alunos, a metodologia poderá fracassar.
O aspecto relacionado à questão do tempo também interfere na escolha dos recursos que o professor poderá utilizar em sala, visto que, a extensão dos conteúdos programáticos e a necessidade de transmiti-los em um curto espaço de tempo, faz com que o professor opte pelos recursos e métodos que possam cumprir sua carga horária, e que nem sempre favorece aos alunos, como é o caso dos professores que se limitam a transmitir o conteúdo unicamente através de aulas expositivas sem abrir espaço para a discussão.
Mesmo assim, ainda há professores que procuram criar espaços para tender os alunos observando suas individualidades e também buscando métodos que possam ser encaixados na transmissão de determinados conteúdos, não se restringido às aulas expositivas. Há também os que compartilham seus saberes experiências para que novas técnicas sejam aplicadas na hora de transmitir determinados assuntos sempre que seja oportuno, mas sem dúvida, o mais importante quando o professor for escolher e determinar sua metodologia de ensino é ter em mente que não está realizando uma escolha neutra e que seu trabalho além de ser um ato pedagógico, é indiscutivelmente um ato político.
No tocante à observação em que se nota por diversas vezes a valorização do elemento didático sobrepujando outros aspectos da didática pedagógica, Nidelcoff afirma ser um problema que está relacionado à falta de orientação dos educadores com relação aos verdadeiros objetivos da educação, além da falta de conceitos definidos sobre o homem e a sociedade.
Ao manter um olhar voltado para outras décadas, se percebia que a prática pedagogia era estabelecida claramente para o tipo de homem que deveria ser formado, e os educadores compartilhavam esses ideais. Porém, na atualidade a imagem de homem difundida pelos meios de comunicação por estar bastante distorcida, acaba refletindo na própria visão de homem e de mundo que o educador terá.
Neste caso, torna-se mais cômodo levantar os problemas de aprendizagem como se fossem simplesmente de ordem didática do que partir para questões mais profundas que ponham em questionamento os propósitos educativos que deveriam orientar o trabalho do educador, fazendo-o refletir sobre os objetivos que ele pretende atingir com sua ação.
Nesta mesma linha de pensamento, é possível estabelecer duas linhas gerais que caracterizam o trabalho dos professores, observando suas posições metodológicas de acordo com suas atitudes, sendo classificadas como “professor-policial” ou “professor povo”.
Segundo Nidelcoff o “professor-policial” é aquele que direciona sua metodologia de forma autoritária, partindo da crença de que seus alunos não sabem e não detém conhecimento, eles têm que aprender escutando e prestando atenção. A sabedoria válida é aquela presente nos livros e o aprendizado acaba se tornando sinônimo de “apreender” os conteúdos que são transmitidos para que sejam aplicados no momento oportuno (avaliação). É excluída a possibilidade de realizar trabalhos nos quais os alunos possam ter oportunidade de serem responsáveis e tomar decisões, neste caso, os alunos não têm autonomia muito menos a possibilidade de expressarem seu potencial.
Questões como disciplina são concebidas pelo “professor-policial” como acatamento de ordens e os trabalhos que deveriam ser realizados em grupo são tratados como meras formalidades. Por se trabalhar em um ritmo forçado, os temas são transmitidos um após outro sem que haja uma observação ao ritmo dos alunos ou uma revisão dos programas, além disso, muitas vezes os trabalhados são passados para serem concluídos ou realizados em casa.
Para Nidelcoff essa atitude do “professor-policial” será responsável por formar indivíduos dependentes e passivos aos acontecimentos sociais. E essa formação está atrelada à importância que é dada à assimilação dos conteúdos culturais pertencentes às classe dominantes em detrimento das manifestações criativas, a transmissão dos conteúdos de forma acrítica e a falta de compromisso pela aprendizagem da cada uma das crianças, principalmente as que tem maior dificuldade.
Já o “professor-povo” é aquele que ao propor atividades em grupo preocupa-se não apenas com a aprendizagem intelectual, mas também com a formação de atitudes dos alunos. No seu método de condução de aprendizagem dá ênfase na observação e análises das situações reais e concretas, trabalhando fatos ocorridos na classe, trazidos pela imprensa, testemunhos históricos etc. Quando se vai trabalhar com as subculturas, o “professor-povo” tenta estabelecer uma relação mútua na transmissão de conhecimentos, não se posicionando como o único a ter algo a ensinar, mas valorizando o saber trazido pelas crianças.
Os trabalhos em grupo são promovidos visando a participação de todos, buscando desenvolver a autonomia nas crianças e trazendo à tona a discussão de seus próprios problemas. A disciplina passa a ser sinônimo não de um conjunto de normas que os alunos devem seguir, mas sinônimo de diálogo, afeto e respeito mútuo.
E por ser um professor que não ensina a classe é massa, ele passa a se responsabilizar pela aprendizagem das crianças, comunicando aos pais sempre que os alunos estão com problemas. E é através de suas atitudes, evitando copiar métodos e experimentações que o “professor-povo” consegue formar cidadãos críticos, atuantes e comprometidos com a realidade que os cercam.
